Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
QUERO APROVEITAR 🤙Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!
Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.
Editora: 12min
Daniel Vorcaro é o ex-controlador do Banco Master, banco hoje extinto, e está preso. A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, apura um esquema de fraudes financeiras atribuído ao banco e a seu dono. É o episódio que o presidente Lula descreveu como "o maior roubo da história do Brasil". Uma das frentes investigadas trata dos cerca de R$ 12 bilhões que o BRB, banco público do Distrito Federal, aportou no Master para comprar carteiras de empréstimo consignado que, segundo a PF, se mostraram "inexistentes ou inadimplentes".
Ao prender o banqueiro, a Polícia Federal apreendeu seu celular, um iPhone 17 Pro. O conteúdo extraído do aparelho é relevante em duas frentes distintas: os supostos crimes financeiros do caso Master e as relações de Vorcaro com autoridades políticas e do Judiciário. São mensagens, áudios, comprovantes e documentos que envolvem ministros do Supremo, parlamentares, servidores do Banco Central e o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.
O caso tramita no STF sob a relatoria do ministro André Mendonça, que recebeu em março uma cópia dos dados extraídos. A PF informou depois ao presidente da Corte, Edson Fachin, que essa cópia não corresponde ao material original, o qual "jamais deixou a custódia da instituição".
Foi desse aparelho que saiu quase tudo o que virou notícia política desde o começo de setembro. E é o controle sobre o que dele se torna público, mais do que o próprio conteúdo, que passou a definir o noticiário a poucas semanas da eleição de outubro.
Em 30 de março de 2025, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) enviou um áudio a Vorcaro pedindo ajuda para liberar "um ativo minerário" de Thiago Rodrigues de Faria, advogado e ex-assessor de seu gabinete. Chama o banqueiro de "Dani", desculpa-se por incomodar num domingo e diz que gostaria de ter "mais proximidade". Dias depois, Vorcaro responde: "Deixa comigo". As mensagens foram publicadas pelo portal ICL Notícias e confirmadas por Valor e O Globo. Não é possível saber, pelo material, se o pedido foi atendido.
Segundo a investigação, o escritório de Faria tinha contrato com uma empresa e poderia receber 25% de uma eventual operação de liberação de lavra de Topázio Imperial, em Ouro Preto (MG), área embargada pelo Ministério Público Federal por risco de rompimento de barragem. A comissão é estimada pelos investigadores em dezenas de milhões de dólares.
Em outra conversa, de 2024, Vorcaro diz a um empresário: "Esse Nikolas, eu banquei todos os voos dele". O deputado afirmou que nunca recebeu "um tostão" do banqueiro e que nunca se encontrou com ele, mas admitiu que Vorcaro custeou viagens de sua campanha em 2022.
Daí em diante, a disputa saiu do conteúdo e foi para o controle dele. A Justiça Eleitoral de Minas Gerais mandou o ICL tirar do ar a reportagem e cinco postagens, sob o argumento de que o deputado não chamou o banqueiro de "lindão", e sim de "Dani"; o portal classificou a decisão como censura. O mesmo juiz negou o pedido para derrubar as notícias sobre o ativo minerário. Em seguida, passou a circular nas redes um relatório atribuído à PF afirmando que não havia indícios contra o deputado. O TRE-MG apura se o perfil que primeiro compartilhou o documento tem vínculo com a conta oficial de Nikolas, e determinou que ele apresente defesa. O trecho que o deputado citou à revista VEJA para se defender é o mesmo que o tribunal aponta como conteúdo do documento falsificado.
"Dark Horse" é uma cinebiografia de Jair Bolsonaro que teve Vorcaro como principal investidor. O caso voltou ao noticiário quando vieram à tona mensagens em que o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, cobra dinheiro do banqueiro para a produção. Reportagem do Intercept Brasil descreveu um acerto de R$ 134 milhões; a PF suspeita que os valores efetivamente repassados já ultrapassem R$ 60 milhões.
A Procuradoria-Geral da República fechou acordo de colaboração premiada com o operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, o "Mineiro", dono da Entre Investimentos, empresa usada para os repasses. Ele detalhou remessas ao fundo Havengate, sediado no Texas e administrado por um advogado próximo de Eduardo Bolsonaro, e contou ter feito entregas de dinheiro vivo em malas a pedido de Vorcaro. Em sua colaboração, afirmou que o esquema funcionou entre 2020 e 2025 e movimentou cerca de R$ 1,3 bilhão. O que os investigadores querem saber é se o dinheiro foi usado no filme ou desviado para custear despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior. O acordo foi encaminhado ao gabinete de Mendonça, a quem cabe homologá-lo ou não, sem prazo definido.
Há ainda uma segunda investigação, sobre o suposto uso de emendas parlamentares no financiamento da obra, essa sob relatoria de Flávio Dino. Ela resultou em 49 mandados de busca, com o deputado Mario Frias entre os alvos. Segundo Folha e G1, a defesa de Flávio Bolsonaro pediu ao menos quatro vezes que esse caso também fosse para Mendonça. O senador acusou Dino de "interferir politicamente" nas eleições.
Em 1º de setembro, Mendonça levantou o sigilo de um relatório da PF com indícios de que Vorcaro trocava mensagens com um número atribuído a Alexandre de Moraes, pedindo informações sobre as investigações e orientação sobre se deveria deixar o país. O relatório aponta ainda ajustes que Moraes teria feito na minuta de um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório comandado por sua mulher. Dois dias depois, Moraes retirou o sigilo de relatórios da inteligência policial sobre Mendonça e o acusou de quebra de imparcialidade e de direcionar alvos por motivos pessoais e políticos. A PGR pediu a anulação da investigação que originou o primeiro relatório.
Desde então as decisões se sobrepõem quase diariamente. Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues; Dino o reintegrou; Fachin suspendeu as duas decisões, tirou o Inquérito das Fake News das mãos de Moraes e marcou para 15 de setembro o julgamento sobre a conduta de Moraes, deixando a apuração sobre Mendonça para 23 de setembro.
A briga pelo acesso ao aparelho é parte disso. Moraes apontou "escolha seletiva" na retirada de sigilo; Zanin e Gilmar Mendes pediram cópia integral dos dados; Mendonça respondeu que liberar o material "somente contribuiria para tumultuar o julgamento" e disse ter apenas uma cópia lacrada em disco criptografado. A PF afirmou ter condições técnicas de fornecer cópias idênticas, e os dois gabinetes acabaram recebendo o conteúdo. Mendonça liberou mais 38 itens da investigação. Ouvido pela PF em 28 de agosto, Vorcaro disse não se lembrar para quem enviou as mensagens que o relatório atribui a Moraes.
Acompanhe quem controla o acesso, não só o que vaza. Hoje, o material do celular passa por Mendonça como relator, por Fachin como presidente da Corte, e agora também pelos gabinetes de Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Enquanto o caso não for decidido em plenário, cada nome político que aparece ou desaparece do noticiário depende menos de uma investigação linear e mais de quem retira ou mantém o sigilo de qual peça. As duas datas que organizam o calendário são 15 de setembro, quando o Supremo analisa o relatório sobre Moraes, e 23 de setembro, quando analisa a conduta de Mendonça na relatoria.
Desconfie de documento que circula sem confirmação oficial. O episódio do relatório falso atribuído à PF mostra que a mesma enxurrada de material real cria espaço para peças forjadas, e que elas chegam ao noticiário citadas como se fossem autênticas. Vale checar se o documento foi liberado por decisão judicial, se veículos independentes confirmaram o conteúdo e se a defesa dos envolvidos se manifestou.
E repare nas decisões judiciais tanto quanto nas revelações. Em duas semanas, a Justiça Eleitoral mandou tirar reportagem do ar por uma palavra em uma transcrição, um ministro do STF afastou o diretor-geral da PF, outro o reintegrou e o presidente da Corte suspendeu ambos. Cada uma dessas decisões determina o que o eleitor vê antes de votar tanto quanto o conteúdo do aparelho. Até a eleição de outubro, o mais provável é que revelação e contra-revelação continuem chegando em blocos, sempre acompanhadas de uma disputa sobre quem autorizou sua divulgação.
Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.
Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)
De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver
Média de avaliações na AppStore e no Google Play
Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura
Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.
Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.
Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.
O período de testes acaba aqui.
Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.
Inicie seu teste gratuito



Agora você pode! Inicie um teste grátis e tenha acesso ao conhecimento dos maiores best-sellers de não ficção.